
Da rua para a terra: homens que viveram nas ruas reconstroem a vida em horta no Rio
Reinaldo e Robson cuidam da horta em Cascadura — Foto: Créditos: Edu Kapps/SMS

Reinaldo e Robson cuidam da horta em Cascadura — Foto: Créditos: Edu Kapps/SMS

Procura por diagnóstico de autismo quase triplica no Rio, mas maioria dos casos não se confirma

RIO — No Estado do Rio, acontece uma morte em razão da Covid-19 a cada quatro minutos. Desde o início da pandemia, 37.114 pessoas morreram vítimas do coronavírus, de acordo com a última atualização da Secretaria de Estado Saúde (SES).

Prefeitura do Rio divulga estudo que relaciona calor extremo a aumento da mortalidade em hospitais

O Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital Municipal Pedro II (HPMII), em Santa Cruz, na Zona Oeste no Rio realizou nesta quinta-feira, seu primeiro transplante de pele “post mortem”. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), um é um método inovador de tratamento de pacientes queimados que consiste na implantação de tecido epitelial captado de corpos de doadores.

Família de Catarina reunida após 7 meses de internação da pequena; ela agora continuará seu tratamento em casa — Foto: Divulgação

Um economista que trabalha no mercado financeiro, enriquece, fica viciado no perigoso jogo do comércio de ações, perde o dinheiro, o casamento e o contato com a família, e vai viver na rua. Uma mulher que, com dois diplomas de ensino superior e histórico de experiências profissionais, não consegue trabalhar porque precisa cuidar de seu filho autista, até se ver financeiramente presa a um casamento abusivo. Histórias de filme. Mas essa era a realidade para Mauro e Camila até o dia em que conheceram, cada qual de um jeito, o projeto Suporte de Pares, presente na rede de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do município do Rio. A partir dali, a vida tomou outro rumo. Num mesmo lugar, encontraram suporte emocional e, uma vez recuperados, a chance de que precisavam: foram contratados pela própria Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS) e hoje ajudam outras pessoas a traçar novos destinos.

Milhares de mosquitos Aedes aegypti foram soltos nesta terça-feira (2) no Caju, na Zona Portuária do Rio. Esses mosquitos vieram de um laboratório, não transmitem doenças e ajudam na redução dos casos de dengue.

Médicos do Hospital Municipal Salgado Filho (HMSF), no Rio de Janeiro, identificaram um caso raríssimo no mundo chamado de divertículo gigante do cólon (DGC). O paciente é um homem de 62 anos. Desde que a doença foi identificada pela primeira vez, há 78 anos, ocorreram menos de 200 registros no mundo.

RIO — “Mamãe está demorando para trazer minha irmã para casa”, repete Manuela, de 3 anos, cerca de quatro meses após a morte de sua mãe, Diana Santos, de 21. A menina a viu pela última vez no dia 15 de dezembro, quando Diana foi para o hospital dar à luz sua irmã, Isabela. Mas, por causa de complicações no parto — houve aspiração de mecônio, como são chamadas as primeiras fezes de um bebê —, Isabela morreu logo após nascer, no Hospital Estadual da Mãe, em Mesquita. Com náuseas, dores e cansaço persistentes, Diana chegou a ser transferida para outra unidade, mas morreu quatro dias depois.

Kelly Cristina de Sá Lacerda trabalhava como agente comunitária de saúde numa clínica da família no bairro de Senador Camará, na Zona Oeste do Rio, onde morava. Atuava também como líder religiosa, com ações voltadas ao atendimento da população — sobretudo crianças e adolescentes da região, alguns deles dependentes químicos. Certo dia, estava a caminho do trabalho quando, ainda perto de casa, foi atingida por um tiro na barriga. Mãe de dois filhos, Kelly, cuja missão era zelar pela vida da comunidade garantindo que seus vizinhos estivessem sempre com saúde, teve a própria vida ceifada aos 40 anos por algo que, no Rio de Janeiro, parece já ser compreendido como um fenômeno da natureza: a violência.

RIO — Pessoas não vacinadas ou com apenas uma dose têm 78% mais risco de serem internadas com Covid-19 do que os vacinados com as duas doses, informa a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES). O dado se baseia internações registadas pela pasta entre os dias 1º e 27 de janeiro.

RIO — A cidade do Rio bateu recorde de notificações de casos de síndrome gripal entre menores de 12 anos no início de janeiro, pouco após a chegada da variante Ômicron, que provocou uma explosão de diagnósticos de Covid-19 no município. Na segunda semana epidemiológica de 2022, correspondente ao período de 9 a 15 de janeiro, o Rio registrou 3.234 casos de síndrome gripal nesse público, o maior número já contabilizado em uma semana de toda a pandemia, segundo dados compilados pela Secretaria municipal de Saúde (SMS). O total é 3,7 vezes maior do que o recorde anterior, registrado na semana epidemiológica 33 de 2021 (15 a 21 de agosto), durante o pico da variante Delta (871 casos).

RIO — Em hospitais da rede privada do Estado do Rio, 90% das pessoas internadas por Covid-19 atualmente não estão com a vacinação em dia. A informação é do diretor da Associação de Hospitais do Estado do Rio (Aherj), Graccho Alvim. Em razão do avanço da variante Ômicron, os hospitais particulares, assim como os públicos, resolveram suspender as visitas a pacientes internados.

RIO — A Secretaria de Estado de Saúde (SES) estuda suspender a realização de cirurgias eletivas no Rio de Janeiro em razão da grande quantidade de profissionais de saúde afastados com Covid-19, entre outros motivos. A mudança consta num esboço de resolução da pasta, portanto ainda não tem validade oficial. Nas últimas semanas, o rápido avanço da variante Ômicron, somado à epidemia de influenza, retirou muitos médicos, enfermeiros e trabalhadores da saúde da linha de frente contra a pandemia: só na capital, 20% desses profissionais foram afastados por uma das duas doenças de dezembro para cá, segundo a Secretaria municipal de Saúde (SMS).

RIO — Dados de efetividade da vacina contra a Covid-19 compilados pela prefeitura do Rio apontam que, na cidade, mortes pela doença ocorrem 15 vezes mais entre os idosos não imunizados do que entre aqueles com o esquema completo. Entre as pessoas de 12 a 59 anos com dose de reforço, a incidência de mortes pela doença a cada cem mil habitantes foi de zero nos últimos 50 dias. Para a Secretaria municipal de Saúde (SMS), os números indicam a proteção “altíssima” conferida pela vacinação, em especial pela dose de reforço. As informações se referem ao período de 1º de dezembro a 10 de janeiro. Mas a escalada da doença continua: nesta quarta-feira, a capital registrou 11.043 casos, o maior desde o início da pandemia.

RIO — Em meio à epidemia de influenza A na Região Metropolitana e à pandemia de Covid-19, o governo do Rio de Janeiro está sem números atualizados de casos e mortes por síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Isso se deve ao apagão de dados do Ministério da Saúde, decorrente do ataque hacker realizado aos sistemas da pasta na semana passada. Na página inicial de seu painel de informações sobre a Covid-19, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) do Rio de Janeiro exibe um aviso a respeito da indisponibilidade das plataformas do governo federal.

RIO — Abatido, Alysson Patrick Gonçalves, de 21 anos, aguardava a consulta com um médico, ontem à tarde, deitado em frente à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Copacabana, na Zona Sul do Rio. Morador de São João Meriti, o tatuador foi trazido de lá por sua ex-namorada Fernanda Sibral, também de 21 anos. Ela resolveu buscar ajuda para Alysson depois de percorrer outras unidades, como a própria UPA de São João de Meriti e as de Duque de Caxias, e vê-las abarrotadas, com filas se estendendo rua afora.

RIO — A Secretaria de Estado de Saúde (SES) publicou, no início da tarde desta quinta-feira, uma nota técnica que regulamenta a dispensa do uso obrigatório de máscara em locais abertos no estado , em conformidade com a lei que trata da flexibilização do uso do item que foi sancionada nesta quarta. Com isso, o decreto da Prefeitura do Rio que derruba a obrigatoriedade da proteção facial em ambientes abertos, publicado nesta quarta, passa a ter efeito prático, e os cariocas já não precisam mais usar máscara em locais abertos sem aglomeração.

RIO - O Ministério da Educação (MEC) e a Advocacia-Geral da União (AGU) afirmaram em parecer protocolado anteontem que universidades federais não podem impedir a volta presencial de servidores e estudantes que se recusaram a tomar a vacina contra Covid-19. Isso significa que a recomendação do governo é que as universidades federais não adotem o chamado “passaporte da vacina” — medida que foi tomada por universidades estaduais como a USP e a Unicamp. Com a orientação do governo, algumas instituições que debatiam a medida decidiram recuar para evitar questionamentos judiciais.

RIO — Desde a retomada do ensino presencial na rede municipal do Rio, em 24 de fevereiro, a Prefeitura do Rio já determinou 195 interdições de escolas devido a casos de Covid-19, quase uma a cada dois dias úteis. Em uma semana, outubro já acumulou sete unidades com as aulas presenciais temporariamente suspensas. Os dados foram enviados ao GLOBO pela Secretaria municipal de Educação (SME) em resposta a um pedido de Lei de Acesso à Informação (LAI).

Grupo prioritário da vacinação contra a Covid-19, a Polícia Militar ainda tem mais de 2 mil agentes sem uma dose sequer da vacina no Rio de Janeiro. De acordo com a PM, 41.809 agentes tomaram a primeira injeção, e 21.528 já receberam a segunda. O número de PMs não imunizados corresponde a 5% do efetivo da corporação, que tem cerca de 44 mil policiais.

RIO — A Prefeitura do Rio comunicou nesta sexta-feira que continuará vacinando adolescentes contra a Covid-19 apesar da mudança de orientação do Ministério da Saúde — o que ainda depende, contudo, da entrega de mais doses de vacina. Além disso, durante a entrevista coletiva de divulgação do 37° boletim epidemiológico da cidade do Rio, o prefeito Eduardo Paes rebateu as críticas do presidente Bolsonaro sobre a exigência de comprovante de vacinação para servidores municipais .

RIO — A Prefeitura do Rio autoriza, a partir desta terça-feira, a aplicação da segunda dose da vacina da Pfizer/BioNTech em gestantes e puérperas que tomaram a primeira dose da fórmula da Astrazeneca, numa inédita combinação de vacinas. Aprovada pelo comitê científico de enfrentamento à Covid-19 da cidade nesta segunda-feira, a iniciativa visa a garantir a imunização completa de mulheres que receberam uma injeção da vacina da Astrazeneca antes que o Ministério da Saúde recomendasse o uso exclusivo da Coronavac e da vacina da Pfizer em gestantes e puérperas.

RIO — Durante a pandemia de Covid-19, a cidade do Rio alcançou uma marca trágica: o maior número de gestantes mortas por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) entre as capitais do país. Foram 84 grávidas mortas num universo de 757 infectadas, ou 11%. Em comparação, na cidade de São Paulo, 72 de 1983 gestantes que apresentaram sintomas de SRAG morreram, ou seja, 3,6%.

RIO — O comitê científico da cidade do Rio discute nesta segunda-feira, dia 31, a ideia de vacinar toda a Ilha de Paquetá contra a Covid-19, num experimento científico para avaliar os efeitos da imunização em larga escala.

RIO — Um documento interno da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro protocolado na sexta-feira, dia 21, reconhece o esgotamento total de quatro medicamentos do chamado “kit intubação” , usado em pacientes com sintomas graves de Covid-19, nos hospitais que fazem parte do plano de contingência estadual contra a pandemia.

RIO — Uma conquista suada e incompleta. Depois de ficar sem funcionar por 101 dias, a UPA de Manguinhos, na Zona Norte, foi reinaugurada no mês passado, mas atravessa as mesmas dificuldades que enfrentava antes de seu fechamento, em janeiro. O relato é dos moradores da região, que se organizaram para reivindicar o funcionamento da unidade. Em plena pandemia de Covid-19, a UPA amanheceu de portas fechadas no dia 6 de janeiro por falta de contrato com organização social (OS). Embora a prefeitura previsse reabri-la em fevereiro, a reinauguração só aconteceu no dia 11 de abril, após dois editais de convocação de novas OSs. Desde a reabertura, segundo os moradores, a remuneração prevista no edital e os conflitos policiais na área têm contribuído para reduzir o número de profissionais da unidade, comprometendo o atendimento à população.

RIO — Logo depois de descobrir que estava grávida, no dia 20 de março, a enfermeira Mariana Gonçalo, de 36 anos, correu para contar a novidade ao marido, o administrador de empresas Marcelo Machado, de 40 anos. Na mesma data, Marcelo começou a ter dor de cabeça, diarreia e tosse. Os sintomas de Covid-19 foram se agravando nas horas seguintes, e, no dia 22 de março, ele foi parar na emergência de um hospital particular da Zona Norte do Rio. Três dias depois, Marcelo, que não tinha comorbidade alguma, foi encaminhado, com febre alta e muita falta de ar, ao Centro de Terapia Intensiva (CTI). Na memória de Mariana, os dias recentes se embaralham entre a expectativa da chegada do novo filho e a angústia causada pela história do marido.

RIO — Intubada em uma UTI para pacientes graves de Covid-19 no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, a aposentada Sonia Bias da Silva, de 64 anos, corre risco de morrer e luta contra a doença sem sedativos. Sem os medicamentos adequados à manobra, ela está sob efeito de diazepam e morfina. Um improviso, segundo o filho dela, o estudante de enfermagem Carlos Eduardo da Silva, de 34 anos, que, do lado de fora da unidade, conta as horas para a chegada dos remédios e tenta, desesperadamente, conseguir ele próprio bloqueadores musculares para sedação.

RIO — Durante os dez dias de restrições mais rígidas, a movimentação nas ruas do estado do Rio para atividades não essenciais caiu ao menor nível desde julho de 2020. É o que aponta um levantamento do GLOBO feito a partir de dados de mobilidade compilados pelo Google, baseados no histórico de localização de smartphones e dispositivos que têm aplicativos da empresa instalados.

RIO — Morreu na manhã desta sexta-feira (2) Clarinda Raphael dos Santos, de 74 anos, por complicações da Covid-19. A aposentada, cuja história o GLOBO contou na quarta-feira (31) , levou sete dias para conseguir uma transferência para a UTI, que só aconteceu após uma liminar de Justiça e uma queixa policial. Sua filha, a enfermeira Adriana dos Santos, afirma que a mãe não teve o tratamento adequado durante sua passagem pelo Hospital Francisco da Silva Telles, em Irajá, onde a paciente ficou internada antes de ser transferida para o Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari.

RIO - A pedagoga Silvia Gonçalves, de 49 anos, e o filho, o estudante Matheus Gonçalves, de 18, passaram boa parte desta quarta-feira na porta da UPA de Madureira, na Zona Norte do Rio. Com sintomas de Covid-19, os dois já nem conseguiam manter sempre a máscara no rosto porque buscavam ar o tempo todo. Mas não estavam ali para serem atendidos. Eles queriam notícias de Carlos Alberto Gonçalves, de 49 anos, marido de Silvia e pai de Matheus, que foi internado em estado grave, com 50% dos pulmões comprometidos, às 19h de terça-feira e, desde então, esperava um leito de UTI para ser transferido.

RIO - A dona de casa Flaviana Motta, de 40 anos, chegou na manhã desta quinta-feira à UPA Campo Grande II, na Zona Oeste, com falta de ar e dor de cabeça. Estava com sintomas de Covid-19, mas nem pensou em se consultar: ela estava com a sogra, Hilda Leitão, de 58 anos, que se sentia muito mal, com febre alta, respiração difícil, dor no peito e nas costas. Foi na parte de externa da unidade de saúde, enquanto aguardava Hilda ser atendida, que Flaviana foi convencida pela acompanhante de outro paciente a procurar atendimento. Entre o momento em que se sentou na sala de espera, às 13h21, e a saída dela do consultório, com uma receita debaixo do braço, passaram-se exatamente sete minutos. Na prescrição médica, um coquetel desaconselhado para o tratamento da Covid-19: o antibiótico azitromicina, o corticóide prednisolona e o Kóide D, que combina princípios ativos corticoides, antialérgicos e antihistamínicos.

RIO — Moradora de Campo Grande, Zona Oeste do Rio, a diarista Lamede Alves, de 48 anos, acorda todo dia antes de o sol raiar para chegar a tempo no seu serviço, na Taquara, também na Zona Oeste. E, todo dia, por falta de alternativa, se depara com o mesmo drama: o medo de pegar um ônibus lotado na estação BRT Mato Alto, em Guaratiba, e ser contaminada pelo coronavírus em meio às aglomerações.

RIO - Gabriel Bittencourt está entre os quase 300 estudantes de medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) que se ofereceram para atuar no combate ao coronavírus em unidades de saúde da instituição. Aluno do 7° período, o jovem de 24 anos ajudou a promover uma campanha de arrecadação de fundos para a abertura de 50 novos leitos no Hospital Pedro Ernesto.
